5 de jul de 2010

Patchwork

por http://www.contracorrenteza.com/2010/07/patchwork.html


Quando nossos pais vão para a cama e pensam (ou não pensam)
que aquele é um bom dia para fazer um bebê,
eles não fazem isso imaginando que aquele novo e pequeno ser c
hegará para a vida para sofrer por amor,
perder amizades ou trair alguém.

E no berçário, quando damos ao pequeno ser
boas-vindas ao mundo, ninguém deseja que o mundo o maltrate,
ainda que este mesmo mundo não se importe muito com estes planos.
Mas é quase uma obrigação nossa lutar contra
a presença insistente da tristeza e da preocupação
em volta de nós e sermos felizes.

Mas o que é ser feliz?
É o sorriso de um filho?
O frio na barriga?
O rosto conhecido?
Os planos para o futuro?
Uma xícara quente de café com leite?
Uma jóia?
Um automóvel?
Uma viagem?
Respirar?

Tudo isso é felicidade e nada, nada disso é.

Não existem pessimistas, existem realistas.
A realidade é que contribui para
um pessimismo consciente.
Vivemos cercados de preocupações.
A saúde dos que gostamos, as contas para pagar,
o mal que impera no mundo que nos cerca,
o mal que vive no mundo que cada um traz em si.


Por isso a felicidade não é nada, mas pode ser tudo.

Ela pode estar num sorvete,
pode estar num beijo na boca,
pode estar num mergulho no mar,
numa conversa agradável,
pode estar no seu par te perguntando
"o que eu posso fazer para nossa vida melhorar?".

O pessimismo realista nos avisa que não há felicidade plena.
Não existe - e talvez jamais tenha existido - uma felicidade
sem sobressaltos, até mesmo porque fica difícil saber o que é bom,
sem conhecer o gosto do ruim.

A vida bem vivida está escondida, esfumaçada,
por entre todas as dores de viver.
É um incenso.

Talvez seja uma colcha de retalhos,
vários pedaços do bom e do mau espalhados desordenadamente,
à espera de que nossa percepção os una.
Não é necessário criar a felicidade ou a tristeza,
elas estarão sempre ali.
Necessário é apenas uni-las.
Ponto a ponto.
Minúncia a minúncia.




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