11 de out de 2008


Ante os que partiram




Nenhum sofrimento, na Terra,
será talvez comparável ao
daquele coração que se debruça sobre
outro coração regelado e
querido que o ataúde transporta
para o grande silêncio.

Ver a névoa da morte estampar-se,
inexorável, na fisionomia
dos que mais amamos, e
cerrar-lhes os olhos no adeus indescritível,
é como despedaçar a própria
alma e prosseguir vivendo.

Digam aqueles que já estreitaram
de encontro ao peito um filhinho
transfigurado em anjo da agonia;
um esposo que se despede,
procurando debalde mover os lábios mudos;
uma companheira cujas mãos
consagradas à ternura pendem extintas;
um amigo que tomba desfalecente
para não mais se erguer,
ou um semblante materno
acostumado a abençoar,
e que nada mais consegue exprimir
senão a dor da extrema separação,
através da última lágrima.

Falem aqueles que, um dia,
se inclinaram, esmagados de solidão,
à frente de um túmulo;
os que se rojaram em prece
nas cinzas que recobrem a
derradeira recordação dos
entes inesquecíveis;
os que caíram, varados de saudade,
carregando no seio o
esquife dos próprios sonhos;
os que tatearam, gemendo,
a lousa imóvel,
e os que soluçaram de angústia,
no ádito dos próprios pensamentos,
perguntando, em vão,
pela presença dos que partiram.

Todavia
semelhante provação te bata à porta,
reprime o desespero e dilui a corrente
da mágoa na fonte viva da oração,
porque os chamados mortos
são apenas ausentes e as gotas de teu pranto
lhes fustigam a alma como chuva de fel.

Também eles pensam e lutam, sentem a choram.

Atravessam a faixa do sepulcro
como quem se desvencilha da noite,
mas, na madrugada do novo dia,
inquietam-se pelos que ficaram...
Ouvem-lhes os gritos e as súplicas,
na onda mental que rompe
a barreira da grande sombra
e tremem cada vez que os
laços afetivos da retaguarda
se rendem à inconformação
ou se voltam para o suicídio.

Lamentam-se quanto aos erros
praticados e trabalham,
com afinco, na regeneração que lhes
diz respeito.

Estimulam-te à prática do bem,
partilhando-te as dores e as alegrias.
Rejubilam-se com as tuas vitórias
no mundo interior e consolam-te
nas horas amargas para
que te não percas no frio do desencanto.

Tranqüiliza-te, desse modo,
os companheiros que demandam o Além,
suportando corajosamente a
despedida temporária,
e honra-lhes a memória,
abraçando com nobreza os deveres
que te legaram.

Recorda que,
em futuro mais próximo que imaginas,
respirarás entre eles, comungando-lhes as
necessidades e os problemas,
porquanto terminarás também
a própria viagem no mar
das provas redentoras.

E, vencendo para sempre o terror da morte,
não nos será lícito esquecer que Jesus,
o nosso Divino Mestre e
Herói do Túmulo Vazio,
nasceu em noite escura,
viveu entre os infortúnios
da Terra e expirou na cruz,
em tarde pardacenta,
sobre o monte empedrado,
mas ressuscitou aos Cânticos da manhã,
no fulgor de um jardim.

Religião dos Espíritos - Emmanuel






minha homenagem ao menino de
olhos claros e alma reluzente


AMIZADES SÃO FEITAS DE PEDACINHOS
( Letícia Thompson )


Amizades são feitas de pedacinhos.
Pedacinhos de tempo que
vivemos com cada pessoa.
Não importa a quantidade de tempo
que passamos com cada amigo,
mas a qualidade do tempo que
vivemos com cada pessoa.
Cinco minutos podem ter uma importância
muito maior do que um dia inteiro.


Assim, há amizades que são feitas
de risos e dores compartilhados;
outras de escola;outras de saídas,
cinemas,diversões;
há ainda aquelas que nascem
e a gente nem sabe de quê,
mas que estão presentes.

Talvez essas sejam feitas
de silêncios compreendidos,
ou de simpatia mútua sem explicação.

Hoje em dia, muitas amizades são feitas
só de e-mails e essas
não são menos importantes.
São as famosas "amizades virtuais".
Diferentes até, mas não menos importantes.

Aprendemos a amar as pessoas
sem que possamos julgá-las pela
sua aparência ou modo de ser,
sem que possamos
(e fazemos isso inconscientemente às vezes)
etiquetá-las.
Há amizades profundas que são criadas assim.

Saint-Exupéry disse:
"Foi o tempo que perdestes com tua rosa
que fez tua rosa tão importante".
E eu digo que é o tempo que ganhamos com
cada amigo que faz cada amigo tão importante.
Porque tempo gasto com amigos
é tempo ganho, aproveitado, vivido.

Um amigo se torna importante pra nós,
e nós para ele, quando somos capazes,
mesmo na sua ausência, de rir ou chorar,
de sentir saudade e nesse instante trazer
o outro bem pertinho da gente.

Dessa forma, podemos ter vários
melhores amigos de diferentes maneiras.
O importante é saber aproveitar o máximo
cada minuto vivido e ter depois no baú das
recordações horas para passar com os amigos,
mesmo quando estes
estiverem longe dos nossos olhos.


Obrigada, Leo, pela mensagem que
ficou em meu coração,
através de sua partida
Obrigada pelos olhares profundos
e, igualmente, significativos,
que me honrou receber.

Vá em Paz, filho...
Esteja no colo da Mãe,
envolto em muita luz e amor.



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